Meu Amor

Meu amor

Quando você beijou minha boca, foi como se quisesse invadir meu corpo. E invadiu meu ser. Seus lábios andaram pelo meu corpo. Sugaram meus peitos. Deixaram ali manchas roxas. Seus beijos travestidos de carinhos sugaram meu clitóris, sugaram minha buceta, lamberam as minhas coxas e meu cu. Sua língua invadiu meu corpo onde quis. O quanto quis. Eu nada pude fazer a não ser entregar-me. Depois, muito depois, de me fazer sentir que caía no precipício de sensações, ao gozar na sua língua, foi que você se ofereceu a mim. Colocou o bico macio de seu peitinho entre meus lábios. Roçou de leve para me provocar. Colocou novamente. Repetiu. Riu do meu desespero, quando não consegui me satisfazer. Não iria conseguir mesmo nunca. Poderia chupar seu peito eternamente que não me sentiria satisfeita. Ia sempre querer mais e mais. Então puxou minha boca para sua bucetinha. Abriu totalmente as pernas mais lindas que já vi. Ofereceu-me a buceta mais deliciosa e cheirosa que pode alguém guardar entre as pernas. Afundei-me. Senti o sabor embriagante e escravizante de seu prazer, chegar aos meus sentidos. Suas mãos delicadas acariciaram minhas costas. Suas unhas as arranharam. Suas mãos espalmadas se desenharam na minha bunda com seus tapas. Dominou-me. Eu estava escrava. Assim te adorei.

Você entrou na minha historia, como uma daquelas tempestades do início do período chuvoso. Intensa, irresistível e turbulenta, trazendo todo tipo de emoções e vida, à minha vida. Durante sua estada comigo, passados foram sendo destruídos para que no lugar pudessem surgir coisas novas. Minha visão foi escurecida para que rostos que sempre teimavam a surgir junto com lembranças, não pudessem mais vir me assombrar. Você, com seus gemidos e gritos, ensurdeceu meus ouvidos para outros sons, a ponto de eu mesma não querer ouvir mais nada que não viesse da sua boca. Com sua risada cristalina e escandalosa, com seus sussurros insinuantes, foi fazendo nascer dentro de mim, a vida que um dia havia murchado e apenas via o tempo passar sem esperança de florescer. Muito menos frutificar.

E de seus lábios vieram os carinhos. Lábios que me acariciaram e me enlouqueceram com seus toques suaves e atrevidos. São os mesmos que deixam escapar junto ao meu ouvido, todas as palavras indecentes, impuras e carinhosas, que me enternecem e me deixam entregues à sua sanha de loucuras, que cometes através das noites. Que me deixam marcas pelo corpo. Marcas que eu cultivo e cuido com carinhos, tocando com as pontas dos dedos e sorrindo escondida ao lembrar como foram feitas. Tudo porque foram deixadas em mim pelos seus atos tresloucados durante os momentos em que eu era sua posse. Escrava que implora pela senhoria. Maldiz a liberdade. Tem horror só de pensar na alforria.

E da sua boca vieram as promessas que como as chuvas intensas, nos enchem de esperança de um novo ciclo. Algumas, nunca cumpridas, e outras, você cumpriu simplesmente por existir. Estar comigo. Eu as recebia como recompensas, diariamente. Como a chuva mansa, que cai após o tumulto de energia irresistível da tempestade, você chegou e me tornou fértil. Fértil de idéias, de alegria e esperança. Me deu paz nos momentos que se seguiram. Me ninou com sua voz suave como uma canção de amor, parecido com a chuva serena que tamborila no telhado e nos induz ao sono tranqüilo e revigorante. Me fez ver a luz do sol do dia seguinte, com olhos diferentes. Só então foi que eu pude perceber todas as cores que iluminam minhas manhãs e que até então me parecia apenas uma claridade. Claridade suficiente para que eu pudesse seguir através dos dias. Cores vivas para que eu possa agora, correr sem trombar com os obstáculos que sempre insistiram em se opor às minhas caminhadas.

O outono chegou e você se foi. Foi o prenúncio do inverno que está por vir. Lençóis frios. Noites longas. A ausência do seu corpo quente e macio a se debruçar sobre o meu. Ausência da sua língua e me torturar, passeando entre minhas coxas, me fazendo implorar pelo prazer que só você me dá. Não sentir mais o sabor único do seu prazer escorrendo pela minha boca. Dos seus suspiros e gemidos a me torturarem. Prenúncio de dias de sol embaçado. Ventos intensos e sibilantes. Mas você não deixou apenas a tristeza da sua ausência. Colhi momentos que ninguém pode tirar de mim. Lembranças maliciosas que me fazem sorrir. Só eu sei o motivo do sorriso, que não pede permissão e vem cheio de peraltice brincar nos meus lábios.

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